A epilepsia é uma doença que afeta mais de 50 milhões de pessoas no mundo. Embora vários fármacos antiepilépticos tenham sido introduzidos no arsenal terapêutico ao longo da última década, aproximadamente um terço dos pacientes continua resistente ao tratamento medicamentoso. Estas pessoas apresentam o que nós chamamos de epilepsia refratária. Para estes casos, o Canabidiol tem sido indicado com base em estudos clínicos que comprovaram a eficácia e segurança do princípio ativo.

O que é o Canabidiol?

O Canabidiol é um composto farmacológico presente em uma planta chamada Cannabis Sativa. Ele foi identificado em 1963, e vale destacar que não é psicoativo, ou seja, não causa alterações psicossensoriais, tem baixa toxicidade e apresenta alta tolerabilidade em seres humanos. Este composto já ajuda pacientes no tratamento da epilepsia, da dor e da anorexia desde a antiguidade, embora só tenha sido aprovado recentemente pelas agências reguladoras para o tratamento da epilepsia.

Como o uso de Canabidiol no tratamento da epilepsia pode ajudar os pacientes?

Um terço dos pacientes com a doença apresenta resistência aos medicamentos antiepilépticos, o que está associado à redução da qualidade de vida e grave prejuízo psicossocial e cognitivo. Para otimizar o tratamento destes pacientes, ocorre a busca por opções terapêuticas (convencionais e não-convencionais) mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

A planta Cannabis Sativa vem sendo aplicada para fins medicinais há milhares de anos, mas só na década de 1960 é que o grupo de Mechoulam isolou os principais componentes e suas respectivas estruturas químicas. Observou-se mais de cem compostos, sendo que aproximadamente 60 deles correspondiam aos componentes canabinóides, cujo principal é o Tetrahidrocanabidiol (este sim apresenta ação psicoativa) e o Canabidiol, cujas propriedades antiepilépticas vêm sendo amplamente avaliadas. A partir destas pesquisas, notou-se que a ação farmacológica do Canabidiol era bastante complexa, mas poderia evitar a propagação de atividades epilépticas.

Como se iniciou o uso de Canabidiol no tratamento da epilepsia

Os estudos iniciais em seres humanos foram realizados pelo grupo de Carlini, no final da década de 70. Os resultados evidenciaram melhora significativa das crises (50% dos pacientes ficaram livres de crises) e presença de poucos eventos adversos (sonolência).

Devido às restrições governamentais impostas a vários países pelo receio ao uso indiscriminado da maconha como droga psicoativa, o primeiro estudo ocorreu após alguns anos. Guiado por Devinsky, a nova pesquisa incluiu 120 crianças e adultos jovens portadores de Síndrome de Dravet, que utilizaram o Canabidiol versus placebo como terapia adjuvante durante 14 semanas.

As primeiras análises mostraram a redução do número total de crises no grupo ativo, sendo que 5% dos pacientes ficaram livres delas. Em seguida, outros estudos foram conduzidos com o intuito de verificar os perfis de eficácia, eventos adversos e interações medicamentosas em um maior número de pacientes com epilepsia resistente. Os efeitos colaterais mais observados foram sonolência, diminuição do apetite, diarreia, alterações comportamentais, problemas de pele, fadiga e distúrbios do sono.

Aprovação do uso de Canabidiol no tratamento de epilepsia refratária

Baseado nestes estudos, o Food and Drugs Admnistration (FDA), agência regulatória americana, aprovou o uso do Canabidiol no tratamento de epilepsia refratária em junho de 2018. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), de acordo com a resolução 2113/2014, regulamentou o uso compassivo do composto como terapia médica restrita ao tratamento de epilepsias na infância e adolescência, também refratárias às terapias convencionais. A prescrição é limitada aos profissionais médicos especializados em neurologia, neurocirurgia e psiquiatria, e os pacientes precisam estar cadastrados no sistema CRM/CFM para a realização do monitoramento de segurança e efeito adversos.

A partir de 2015, a medicação foi liberada para importação a preços bastante altos, o que tem limitado o uso por grande parte da população. Em 2017, o órgão brasileiro facilitou o processo do pedido e liberou o uso do Canabidiol no tratamento da epilepsia para todas as faixas etárias. Devido à crescente demanda, em junho de 2019, foi instituída uma nova proposta regulatória e foram abertas duas consultas públicas, cujo prazo foi finalizado em agosto. A primeira delas trata da regulamentação do cultivo controlado de Cannabis Sativa para uso medicinal e científico. Já a segunda tem como foco o registro de medicamentos produzidos com princípios ativos da planta. Esta iniciativa da ANVISA favorece a produção nacional de terapias feitas à base de Cannabis com garantia de qualidade e segurança, além de ampliar o acesso da população a esses medicamentos.

Se você quer saber mais sobre este tema, converse com o seu neurologista e tire todas as suas dúvidas. Em nossa clínica você também encontra profissionais atualizados com o tratamento.

 

Este conteúdo não substitui a orientação do especialista. Para esclarecer quaisquer dúvidas e realizar diagnósticos, consulte o seu médico.

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