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Clínica de Epilepsia | Trabalhos em Congressos

TUBERCULOSE COMO ETIOLOGIA DE EPILEPSIA REFRATÁRIA DO LOBO TEMPORAL

Cassio Forster, Arthur Cukiert, Leila Frayman, Viviane Ferreira, Elcio Machado, Jose Augusto Buratini, Alcione Sousa.

Serviço de Cirurgia de Epilepsia do Hospital Brigadeiro e Clínica de Epilepsia de São Paulo, São Paulo SP.

Introdução: Granulomas tuberculosos cerebrais são comuns em alguns países como a Índia, onde representam etiologia frequente de epilepsia, na maioria das vezes não refratária. No Brasil, estas lesões são incomuns como etiologia de epilepsia refratária. Relatamos paciente portador de tuberculose cerebral associada à epilepsia refratária.

Relato de Caso: CM, de 49 anos, possuía crises parciais simples e complexas desde os 16 anos. As crises parciais complexas apresentavam paresia ictal à esquerda e automatismos à direita. EEG mostrava foco temporal direito. RMN mostrava lesão temporal direita, não captante, caracterizada por áreas hipointensas em T1 e hiperintensas em T2 na substância branca temporal direita e aumento dos diâmetros do hipocampo do mesmo lado. Foi submetido à cortico-amígdalo-hipocampectomia direita guiada por ECoG. O cortex e substância branca eram endurecidos porém não havia lesão focal. O hipocampo era espesso e também endurecido. Sua anatomia grosseira estava preservada e não havie lesão focal. Não houve intercorrência cirúrgica. O estudo anátomo-patológico mostrou inúmeros microgranulomas de células gigantes no cortex e substância branca e hipocampo, onde bacilos BAAR resistentes foram individualizados. Encontra-se sem crises desde a cirurgia.

Discussão: Esta etiologia é rara para epilepsia refratária em nosso meio. Os achados de neuroimagem em geral correspondem ao de granulomas, com captação periférica de contraste, o que não ocorreu neste caso descrito. Na maioria das vezes as lesões são focais. Neste caso, as lesões eram disseminadas e microscópicas, dando a impressão de processo expansivo cerebral (e não granulomatoso) temporo-mesial.