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Clínica de Epilepsia | Trabalhos em Congressos

DISPLASIAS CORTICAIS NÃO VISÍVEIS À RM

Machado E, Buratini JA, Argentoni M, Ferreira VB, Cukiert A, Forster C, Frayman L, Ferreira VB, Sousa A, Vieira J.

Serviço de Cirurgia de Epilepsia do Hospital Brigadeiro e Clínica de Epilepsia de São Paulo, São Paulo SP.

Introdução: As displasias corticais são anormalidades com epileptogenese intrínseca e extrínseca e começaram a ser melhor identificadas a partir do aparecimento da RM. No entanto, alguns pacientes com epilepsias refratárias ainda possuem RM normal mas displasias corticais são reconhecidas em seus especimens cirúrgicos. Este estudo relata nossa experiência com estes pacients.

Material: Quatro pacientes com epilepsia refratária foram estudados.

Paciente I: 35 anos, crises parciais complexas (CPC) sem crises parciais simples (CPS) desde os 2 anos de idade, sem convulsões febris. EEG intercrítico e crítico com anormalidades temporais direitas. RM normal. Foi submetido à córtico-amígdalo-hipocampectomia (CAH) à direita. Sem crises desde então. Paciente II: 32 anos, CPC sem CPS desde os 8 anos de idade. EEG intercrítico com descargas bitemporais independentes. RM com esclerose mesial (EM) bitemporal, maior à direita. Submetida à CAH à direita. Sem crises desde então. Paciente III: 21 anos, CPS visuais à direita desde os 5 anos, EEG intercrítico e crítico com anormalidades temporais médio-posterior esquerdas. RM normal. Submetido a implante de eletrodos subdurais e posterior quadrantectomia posterior esquerda. Sem crises desde então. Paciente IV: 16 anos, crises hipermotoras desde os 2 anos de idade. EEG intercrítico com sincronia bilateral secundária (SBS) generalizada e EEG crítico não-localizatório. RM normal. Submetida a implante bifrontomesial de eletrodos subdurais e posterior lobectomia frontal anatômica. Sem crises desde então.

Resultados: Os pacientes I e II possuíam espécimen cirúrgico macroscopicamente normal. À microscopia, visualizaram-se células displásicas sem distorção do padrão giral. O paciente III apresentava área displásica occipital (área 18) esquerda à macroscopia (2 cm). A paciente IV apresentava área displásica frontomesial pré-suplementar direita (8 mm).

Discussão: Apesar do uso da RM de alta resolução, algumas displasias ainda não são diagnosticadas pré-operatoriamente. Provavelmente, com refinamento da técnica, as displasias visíveis macroscopicamente (como nos pacientes III e IV) e que distorcem o padrão giral devem ser detectáveis com RM. Já as displasias microscópicas e sem distorção de padrão giral (como nos pacientes I e II) devem persistir não detectáveis e representar o limite do método diagnóstico. É possível que métodos funcionais tais como a espectroscopia por RM sejam capazes de progredir neste sentido; no entanto estas técnicas não possuem, no momento, resolução espacial adequada ou suficiente.