T. 11 3846.3272 / 3846.3273 | contato@cukiert.com.br
Rua Dr. Alceu de Campos Rodrigues, 247 - 12° and. Cj. 21
São Paulo/SP - Brasil - CEP 04544-000

Clínica de Epilepsia | Trabalhos em Congressos

ATIVAÇÃO INICIAL NEOCORTICAL TEMPORAL CONTRALATERAL AO FOCO EPILEPTOGÊNICO PODE JUSTIFICAR ERROS LOCALIZATÓRIOS DO VÍDEO-EEG DE SUPERFÍCIE

Machado E, Buratini JA, Argentoni M, Ferreira VB, Cukiert A, Forster C, Frayman L, Ferreira VB, Sousa A, Vieira J.

Serviço de Cirurgia de Epilepsia do Hospital Brigadeiro e Clínica de Epilepsia de São Paulo, São Paulo SP.

Introdução: Este estudo chama a atenção para achados de neurofisiologia invasiva em pacientes com epilepsia bitemporal onde a avaliação final entre os achados de superfície e profundidade foram diferentes.

Métodos: Três pacientes adultos com epilepsia bitemporal refratária e submetidos a implantes subdurais bitemporais foram estudados.

Resultados:
Paciente I:
Crises parciais simples (CPS) autonômicas e crises parciais complexas (CPC), EEG interictal bitemporal independente (esquerda=direita); EEG crítico não localizatório. RM mostrando EM bilateral. as crises originavam-se nos contatos parahipocampais à DIREITA, lá permanendo por vários segundos. A seguir, percebia-se ritmo recrutante temporal ESQUERDO com início parahipocampal esquerdo e rapidamente envolvendo a convexidade esquerda, enquanto a convexidade direita permanecia quieta. O padrão clínico não era localizatório. Submetido à córtico-amígdalo-hipocampectomia (CAH) à direita. Sem crises desde então.
Paciente II:
CPC sem CPS, EEG interictal com descargas bitemporais independentes, com nítido predomínio à direita. EEG crítico sugestivo de início à esquerda. RM mostrando cisto aracnoideo temporo-polar direito. As crises iniciavam-se sempre nos contatos mesiais à ESQUERDA e o intercrítico persistia com grande predomínio à DIREITA (> 90%). Submetido à CAH esquerda; encontra-se sem crises desde então.
Paciente III: CPC sem CPS, EEG intercrítico com descargas bitemporais independentes (esquerda=direita). RM normal. As crises iniciavam-se com desincronização da atividade de fundo do lobo temporal ESQUERDO e ritmo recrutante rapido (1 seg) em giro temporal superior esquerdo. Em metade das crises, a atividade neocortical achava-se disseminada no lobo temporal DIREITO logo a seguir, enquanto o neocortex temporal ESQUERDO persistia quieto. As crises clínicas sugeriam origem à esquerda, mesmo quando a atividade ictal encontrava-se restrita ao lobo temporal direito.

Discussão: Estes 3 pacientes ilustram casos onde o EEG de supefície poderia lateralizar de modo equívoco o foco epileptogênico, já que a ativação neocortical primeira é contralateral ao mesmo. Pacientes com epilepsia bitemporal e RM normal ou com EM ou lesões bilaterais devem ser avaliados de modo invasivo.