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Clínica de Epilepsia | Trabalhos em Congressos

ÁREAS LESIONAIS E EPILEPTOGÊNICAS EM PACIENTES COM DISPLASIAS MULTIFOCAIS NÃO CONTÍGUAS
RESULTADOS DA INVESTIGAÇÃO INVASIVA E CIRURGIA

Viviane Ferreira, Arthur Cukiert, Cassio Forster, Leila Frayman, Elcio Machado, Jose Augusto Buratini, Alcione Sousa.

Serviço de Cirurgia de Epilepsia do Hospital Brigadeiro e Clínica de Epilepsia de São Paulo, São Paulo SP.

Introdução: Displasia cortical associa-se frequentemente à epilepsia refratária. As áreas displásicas podem ser extensas mas são em geral contíguas dentro de um mesmo hemisfério e as áreas epileptogênicas correspondentes incluem a lesão e sua vizinhança. Este estudo descreve nossos achados invasivos em pacientes com displasias multifocais não contíguas.

Material: Dois pacientes foram incluídos nesta série. Paciente I: MR, de 8 anos, apresentava crises desde 1 ano de idade. As crises incluíam postura tônica de braço esquerdo e rotação para a esquerda. O EEG mostrou foco frontal direito com intensa sincronia bilateral secundária. Registros ictais mostraram início frontal direito. RMN mostrou extensa área displásica frontal direita e heterotopia não contígua nos gânglios da base do mesmo lado. Ele foi submetido a extensa ressecção frontal direita e as lesões subcorticais não foram ressecadas. Paciente II- RR, de 24 anos, possuía crises desde os 8 anos. As crises eram parciais simples motoras e complexas com rotação forçada da cabeça para a esquerda. EEG interictal e ictal demonstrou extensa área epileptogênica fronto-temporal direita. RMN mostrou áreas displásicas cingular anterior direita e outra não contígua no cortex pre-motor direito. Ele foi submetido a implante de eletrodos subdurais hemisféricos à direita. As crises originavam-se exclusivamente das áreas motora e pré-motora. Nenhuma descarga relacionada ao giro cíngulo foi vista.

Resultado: O paciente I está sem crises desde a cirurgia. Nenhum evento pós-operatório ou crises puderam ser relacionados à lesão remanescente nos gânglios da base. O paciente II aguarda cirurgia.

Discussão: Áreas displásicas multifocais não contíguas podem apresentar epileptogênese multifocal. No entanto, as crises clínicas podem originar-se de um só local. Nestas condições, estas síndromes epilépticas podem ser tratadas com cirurgia e com bons resultados.