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Clínica de Epilepsia | Trabalhos em Congressos

ACHADOS PSIQUIÁTRICOS PRECOCES EM PACIENTES SUBMETIDOS À CORTICO-AMÍGDALO-HIPOCAMPECTOMIA PARA TRATAMENTO DE EPILEPSIA REFRATÁRIA

A Cukiert, JA Burattini, JO Vieira, PP Mariani, C Baise, C Baldauf, M Argentoni, L Frayman, VA Mello, L Seda, RLB Camara, PRS Mendonça.

Serviço de Cirurgia de Epilepsia, Hospital Brigadeiro e Clínica de Epilepsia de São Paulo, São Paulo-SP, Brasil.

INTRODUÇÃO: A cortico-amígdalo-hipocampectomia (CAH) é o procedimento mais comumente realizado para tratamento da epilepsia refratária. Importantes vias de conexão límbica são lesadas por este tipo de procedimento e alterações psiquiátricas podem ocorrer no período pós-operatório. Nesse estudo, relatamos essas alterações no pós-operatório imediato de pacientes submetidos a CAH.

MATERIAL: Vinte e nove pacientes submetidos a CAH foram avaliados do ponto de vista psiquiátrico 1 semana antes da cirurgia e 1 semana e 1 mês após a mesma. A avaliação psiquiátrica foi realizada através de entrevista diagnóstica, sendo os pacientes avaliados pela Escala de Depressão de Hamilton 21 (Ham-21), pelo Protocolo de Avaliação Psiquiátrica Breve (BPRS) e pela Escala de Mania de Young (EAM-m). Treze pacientes foram submetidos a CAH à esquerda e 16 à direita.

RESULTADOS: Nove pacientes possuíam doenças psiquiátricas pré-operatório. Sete pacientes apresentaram alterações psiquiátricas significativas durante o período de estudo no pós-operatório (6 dentro da primeira semana e 1 no primeiro mês). Desses, 2 foram submetidos à CAH à esquerda e 5 à direita. Outros 3 pacientes possuíam antecedentes de doença psiquiátrica. Na primeira semana, 1 paciente desenvolveu sintomas de depressão após CAH à esquerda, 3 desenvolveram mania após o procedimento (2 com CAH à direita e 1 à esquerda), 1 paciente desenvolveu mania e depressão associados após CAH à direita e 1 desenvolveu sintomas psicóticos. Um paciente desenvolveu mania 1 mês após a cirurgia. Todos os pacientes receberam tratamento específico para cada distúrbio psiquiátrico. Todos, exceto um, estavam livres de medicação após 1 mês da cirurgia.

CONCLUSÕES: Quase 25% dos pacientes submetidos à CAH desenvolvem alterações psiquiátricas durante o período pós-operatório precoce. A CAH à direita parece estar relacionada a uma morbidade psiquiátrica mais elevada. Esses pacientes freqüentemente necessitam de uma terapia medicamentosa breve para tratamento dessas desordens, especialmente aqueles com hipomania/mania. Uma série mais ampla poderia consolidar a análise estatística.