T. 11 3846.3272 / 3846.3273 | contato@cukiert.com.br
Rua Dr. Alceu de Campos Rodrigues, 247 - 12° and. Cj. 21
São Paulo/SP - Brasil - CEP 04544-000

Clínica de doença de Parkinson

Introdução

Clínica Doença de Parkinson

A doença de Parkinson (DP) foi primeiramente descrita por James Parkinson em 1817 com o título “An Essay on the Shaking Palsy" (Um ensaio sobre a Paralisia Agitante).

É uma doença neurodegenerativa, significando que ocorre degeneração (disfunção ou morte) de neurônios no cérebro. A DP leva a manifestações motoras (distúrbios do movimento) e não motoras.

Estudo recente na cidade de Bambuí, no Brasil, mostra uma prevalência da DP em 3,3 % da população. É uma doença de distribuição universal e os estudos mostram prevalências similares, entre 1 a 4% da população estudada. O diagnóstico errôneo da DP é comum e dados estatísticos nesta doença podem não ser muito precisos. A chance de desenvolver DP aumenta com a idade. Tipicamente se inicía entre a 6 e a 7 década de vida (entre 50 e 70 anos) e progride lentamente com aumento da idade. A idade média de início é 60 anos. Início antes dos 30 anos é raro, mas em até 10% dos casos os sintomas aparecem até os 40 anos.

Apesar de que até o momento nehum tratamento se comprovou eficaz em retardar a evolução da DP, existe um grande número de medicamentos disponíveis para tratar os sintomas, assim como diversos procedimentos cirúrgicos e outras formas não-farmacológicas de tratamento.

Fatores de risco e fatores de proteção

A grande maioria dos casos de DP parece estar associada a potencial interação entre genes e ambiente. O principal fator de risco isolado é o envelhecimento. História familiar de DP é outro fator de risco. Parentes em 1 grau de pacientes com DP tem até duas vezes mais chance de desenvolver DP daqueles que não tem história familiar. Este risco aumentado provavelmente é uma combinação de fatores ambientais e fatores genéticos que familiares tem em comum.

Estudos epidemiologicos tem procurado identificar toxinas ambientais que, por exposição crônica em indivíduos suseptíveis, poderiam levar eventualmente a DP. Um achado consistente é o aumento do risco de DP em moradores de regiões rurais, exposição a agua de poço e trabalho na agricultura, sugerindo que pesticidas e herbicidas podem contribuir ou causar DP.

Outro fator de risco que consistentemente tem sido associado a redução da chance de desenvolver DP é o tabagismo. Não se tem certeza ainda se o tabagismo confere uma proteção real ou os indivíduos propensos a desenvolver a DP também são propensos, por outros motivos, a não fumar. Entretanto, considerando os comprovados malefícios diversos a saúde causados pelo tabagismo, e a eventual discreta redução no risco de desenvolver DP, o tabagismo não pode ser recomendada como uma estratégia para evitar a DP. A ingesta regular de cafeína parece estar associada também a redução do risco de desenvolver DP.

É importante salientar que a exposição a algum destes fatores ambientais não quer dizer que a pessoa vai apresentar DP e que a ausência de exposição não impede que a pessoa desenvolva a doença.

Genética

Sabemos que alguns genes causam DP, mas que corresponde a uma minoria dos casos. Até o presente foram descritos 13 genes associados à DP. Um dos mais conhecidos é o gene chamado Parkin, responsável pela criação de uma proteína, também chamada parkin, que é responsável pela degradação de proteínas intracelulares. A falta deste gene leva ao acúmulo de proteínas que, segundo algumas evidencias, contribua para morte neuronal.

Outros genes responsáveis pela DP são o LRRK2, DJ-1, PINK1 e o gene da alfa sinucleina. A maioria dos casos relacionados a mutação nestes genes tem início precoce, geralmente até a quinta década de vida. Atualmente o estudo dos genes na DP tem aplicabilidade em casos selecionados, e conhecer a mutação apresentada pelo paciente em nada muda a conduta terapêutica a ser adotada.

Sintomas da doença de Parkinson

Os sintomas principais (cardinais) da DP são lentidão dos movimentos (chamada bradicinesia), tremor de repouso (tremor em um braço ou uma perna quando estão parados), rigidez muscular e desequilíbrio (instabilidade postural). Os sintomas tipicamente aparecem em um lado do corpo e progridem para acometer ambos os lados. Outros sintomas motores incluem redução do tamanho das letras na escrita (micrografia), perda da expressão facial (hipimimia), redução da frequência de piscamento dos olhos e perda do balanço natural dos braços quando caminha (marcha em bloco).

Outros sintomas que não envolvem a parte motora são redução do olfato, depressão, alteração da voz que se torna mais baixa e monótona e alterações que envolvem o sistema nervoso dito autonômico, envolvido no controle dos órgãos, como constipação, transpiração excessiva e dificuldades para urinar.

Diagnóstico

Desde que não existe um exame ou teste específico para DP, o diagnóstico depende da avaliação médica que através de história clínica compatível e do exame físico que vislumbre a presença de pelo menos dois daqueles principais sintomas (tremor,bradicinesia, rigidez e instabilidade postural). Na história e exame clínicos é necessário afastar outras causas secundárias de sintomas parkinsonianos, como alguns medicamentos, exposição a monóxido de carbono, exposição a manganês e outras doenças neurológicas como parkinsonismo vascular, paralisia supra-nuclear progressiva e atrofia de múltiplos sistemas.

Tratamento

Os tratamentos atuais são efetivos em minimizar os sintomas da DP. Para maioria dos pacientes, estes tratamentos são capazes de controle muito satisfatório do quadro clínico, por alguns anos. Por outro lado, nenhuma terapia se mostrou capaz de retardar ou reverter a doença. Entretanto, atualmente diversos estudos estão em curso para avaliar o potencial efeito neuroprotetor de novas drogas.

O tratamento de cada paciente é individualizado sendo que diversos fatores são considerados na decisão da melhor terapêutica para cada paciente. Entre estes fatores podemos citar o tipo de sintoma predominante (tremor ou rigidez) e a intensidade dos mesmos, a idade, o prejuizo que a doença causa nas atividades diárias incluindo o trabalho, as manifestações associadas (ex: depressão e ansiedade) e a presença de outras doenças associadas. Ao longo dos anos, o tratamento é continuamente revisto conforme as necessidades de cada paciente.

De maneira geral, a base da terapia nos primeiros anos dos sintomas da DP é o tratamento farmacológico, frequentemente com uso de diversas medicações ao mesmo tempo. O tratamento cirurgico é reservado para os casos mais avançados, em que o tratamento medicamentoso já apresenta efeito irregular e tornou-se insuficiente. O candidato ideal para cirurgia deve ser responsivo a levodopa, apresentar resposta ao tratamento clínico insatisfatória (geralmente com efeito irregular e com complicações) e ter boas condições físicas e psíquicas para o procedimento cirúrgico, além de outros critérios estabelecidos pelo médico que faz o acompanhamento do paciente.

As medicações usadas no tratamento da DP incluem seis classes de drogas:

  1. Levodopa
  2. Agonistas dopaminérgicos : pramipexol, ropinirol
  3. Inibidores da enzima MAO : selegilina e rasagilina
  4. Inibidores da enzima COMT : entacapona e tolcapona
  5. Anticolinérgicos: biperideno
  6. Amantadina

Outra formas de tratamento incluem a terapia física, fonoaudiológica e psíquica. O acompanhamento e tratamento multidisciplinar é importante na DP e inclui essencialmente as àreas de Neurologia, Neurocirurgia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Psicologia, Nutrição, Enfermagem e Assitência Social.