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Neuroendocrinologia | Trabalhos em Congressos

LATÊNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA SÍNDROME DE ADDISON EM PACIENTES COM DOENÇA DE CUSHING CURADOS POR CIRURGIA E QUE NÃO RECEBERAM ESTERÓIDES NO INTRAOPERATORIO

K Nogueira, J Goldman, ME Rossi-Silva, RS Jacob, L Frontana, F Marques, F Oliveira, A Cukiert, B Liberman and JA Burattini.

Departamento de Endocrinologia e Neurocirurgia do Hospital Brigadeiro e Clínica Neuroendocrina de São Paulo SP, Brasil.

INTRODUÇÃO: O receio quanto ao desenvolvimento da Síndrome de Addison (SA) após cirurgia bem sucedida para tratamento de Doença de Cushing (DC) por acesso transesfenoidal (TS) levou muitos centros a usar terapia de reposição com esteróides no pós-operatório imediato. Dados recentes têm sugerido que o bloqueio dos corticotrofos não é completo em pacientes com DC e que a resposta ao stress cirúrgico seria capaz de manter a responsividade vascular por muitas horas no período pós-operatório. Nós estudamos o tempo necessário para o desenvolvimento dos primeiros sintomas da SA após cirurgia (TS) para tratamento de DC em pacientes que não receberam terapia com esteróides no pós-operatório.

MÉTODOS: Vinte pacientes consecutivos com DC documentada e que foram considerados em remissão após TS foram estudados. A idade variou de 16 a 47 anos e o tempo médio de acompanhamento foi de 1,8 anos (8 meses a 4 anos). Todos os pacientes foram submetidos à TS e o exame patológico mostrou tumor secretante de ACTH. Todos estavam em remissão clínica no último acompanhamento. Os níveis de cortisol foram medidos a cada 12 horas ,pelo menos, no período pós-operatório.

RESULTADOS: Dezoito pacientes apresentaram sintomas da SA correlacionados a baixos níveis plasmáticos de cortisol no pós-operatório. O tempo médio para início dos sintomas foi de 43 horas (20-96 horas) e o nível médio de cortisol nesse momento foi de 1,5 (0,5-4,7). Dois pacientes que foram considerados em remissão não exibiram sintomas da SA (níveis de cortisol mais baixos de 5 e 5,6, respectivamente).

DISCUSSÃO: É seguro não administrar esteróides durante o período pós-operatório imediato em pacientes com DC submetidos à TS , desde que eles sejam mantidos sob vigilância nos primeiros 2 dias pós-operatórios. Noventa por cento dos pacientes que entrarão em remissão no pós-operatório irão desenvolver SA, embora 10% deles possam entrar em remissão sem qualquer sintoma da SA. Níveis de cortisol no pós-operatório imediato (24-48 horas) mais baixos do que 2,0 são altamente sugestivos de futura remissão clínica do hipercortisolismo.