T. 11 3846.3272 / 3846.3273 | contato@cukiert.com.br
Rua Dr. Alceu de Campos Rodrigues, 247 - 12° and. Cj. 21
São Paulo/SP - Brasil - CEP 04544-000

Neuroendocrinologia | Trabalhos em Congressos

ANEURISMA INTRASELAR DA CARÓTIDA INTERNA COEXISTINDO COM UM ADENOMA SECRETOR DE GH EM UM PACIENTE ACROMEGÁLICO

Cukiert A, Zach PL, Silva FFA, Saleh A, Nogueira KC, Huayllas MKP, Silva MER, Jacob RS, Liberman B, Burattini JÁ, Santos PPML, Seda JR LF, Câmara RLB, Lopes LFPG

Departamentos de Neurocirurgia e Endocrinologia do Hospital Brigadeiro, São Paulo - SP e Clínica Neuroendócrina de São Paulo, São Paulo - SP (acukiert@uol.com.br)

Objetivos: A coexistência de adenoma pituitário e aneurisma cerebral é rara, embora sua prevalência seja mais elevada que a esperada na população geral. É relatado o caso de um paciente acromegálico no qual um adenoma secretante de GH coexistia com um aneurisma intraselar da artéria carótida interna (ACI).

Relato de Caso: Uma mulher de 58 anos de idade apresentava cefaléia crônica e fenótipo acromegálico. Ela apresentava hipertensão há 10 anos e galactorréia há 3 anos. Os níveis de GH plasmáticos variavam de 5.7 a 11.4 ng/ml e a média dos níveis de IgF1 era de 703 ng/ml. A função pituitária por outro lado estava intacta. Imagens por ressonância nuclear magnética (IRM) da região selar revelaram um aneurisma da ACI de 1,2 cm ocupando a hemi-sela esquerda e um adenoma hipofisário de 0,7 cm imediatamente abaixo dele. Angiografia cerebral evidenciou um aneurisma da ACI esquerda posterior à emergência da artéria oftálmica. A paciente tolerou bem um teste de oclusão com balão e foi submetida à exclusão do aneurisma através da oclusão da ACI no pescoço e clipagem da ACI supraclinóide imediatamente abaixo da saída da artéria oftálmica. Um mês após, ela foi submetida à remoção do adenoma através de um acesso transesfenoidal. O aneurisma excluído foi facilmente visualizado ocupando a hemi-sela esquerda inteira. Exame imuno-histoquímico confirmou a presença de adenoma secretor de GH. Os níveis pós-operatórios de GH e IgF1 foram, respectivamente, de 1,7 e 227 ng/ml.

Discussão: A prevalência de aneurisma da região selar entre outros é de 1-2%. A prevalência da coexistência de adenomas hipofisários e aneurisma cerebral é mais elevada que em outros tipos de tumores cerebrais benignos e em relação à população geral. Aproximadamente 50% desses pacientes têm acromegalia, sugerindo que altos níveis de GH e IgF1 ou seus efeitos biológicos possam estar implicados na gênese do aneurisma. IgF1 elevado induzindo dilatação arterial, mudanças ateroscleróticas e degenerativas da parede arterial, invasão tumoral, neovascularização direcionada ao tumor, hipertensão e diabetes estão muito provavelmente envolvidos no processo. Embora o tratamento desses pacientes possa ser desafiador, o acesso à lesão vascular primeiro é geralmente a melhor escolha.