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Clínica de Epilepsia | Trabalhos em Congressos

RESULTADOS DA CIRURGIA DE EPILEPSIA EM PACIENTES COM EPILEPSIA REFRATÁRIA DO LOBO TEMPORAL E IRM NORMAL

Cukiert A, Burattini JA, Santos PPML, Seda Jr LF, Câmara RLB, Baldauf CM, Baldochi MA, Forster CR, Baise-Zung C, Mello VA.

Programa de Cirurgia de Epilepsia do Hospital Brigadeiro, São Paulo - SP, e Clínica de Epilepsia de São Paulo, São Paulo - SP

Objetivos: Pacientes com epilepsia refratária do lobo temporal representam o principal conjunto de pacientes submetidos à ressecção cortical para controle das crises. Pacientes que apresentam lesões epileptogênicas ou esclerose mesial temporal são abordados com uma avaliação pré-operatória muito simples. Todavia, pacientes com achados de IRM normais ou não-localizatórios representam uma desafiadora população e possuem risco muito mais alto para piora neuropsicológica pós-operatória comparados àqueles com lesões focais definidas em IRM. Este trabalho relata sobre o prognóstico de uma série de pacientes com epilepsia refratária do lobo temporal e IRM normal.

Métodos: Trinta e um pacientes consecutivos, adultos, extraídos de uma série de 297 pacientes submetidos a ressecções do lobo temporal entre 1996 e 2002 no Hospital Brigadeiro e Clínica de Epilepsia foram estudados. A média de seguimento foi de 49 meses. Os pacientes foram divididos em 2 grupos: Grupo I (n=8) incluiu pacientes com IRM normal e achados de video-EEG unilaterais e Grupo II (n=23) pacientes com IRM normal e achados de vídeo-EEG de superfície bilaterais ou não-localizatórios. Todos os pacientes do Grupo I foram submetidos à cirurgia do lado sugerido pelos achados do vídeo-EEG. Todos os pacientes do Grupo II foram adicionalmente submetidos a registro invasivo por meio de grades subdurais implantadas bilateralmente.

Resultados: Sete de 8 pacientes do Grupo I tornaram-se livres de crises após a cirurgia e 66% do Grupo II também o fizeram. O restante dos pacientes do Grupo I e II ficaram em Engel II na escala de prognóstico pós-operatório. Os achados de registros invasivos nos pacientes do Grupo II foram os seguintes: início de crises unilaterais em 18 de 23 pacientes; 18 pacientes com início focal das crises e 5 com início regional; 17 com propagação inicial ipsolateral das descargas e 6 com propagação inicial contralateral. Em quatro dos 31 pacientes estudados nessa série notou-se esclerose mesial temporal no exame anátomo-patológico do tecido ressecado; em 11 pacientes, microdisgenesias foram descobertas e 16 não tiveram lesão identificável.

Discussão: Pacientes com epilepsia refratária do lobo temporal e IRM normal representam um desafio, porém bom prognóstico cirúrgico pode ser alcançado, embora uma avaliação mais extensa seja geralmente necessária, freqüentemente incluindo estudos invasivos. Os resultados são piores em pacientes com IRM normal e achados não-localizatórios de video-EEG de superfície.