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ClĂ­nica de Epilepsia | Trabalhos em Congressos

IMPLANTE DE ELETRODOS SUBDURAIS PARA REGISTRO NEUROFISIOLÓGICO INVASIVO EM PACIENTES COM EPILEPSIA REFRATÁRIA: PrincĂ­pios tĂ©cnicos

Cukiert A, Burattini JA, Santos PPML, Seda Jr LF, Câmara RLB, Lopes LFPG, Baldauf CM, Baldochi MA, Forster CR, Baise-Zung C, Mello VA.

Programa de Cirurgia de Epilepsia, Hospital Brigadeiro, São Paulo - SP e Clínica de Epilepsia de São Paulo, São Paulo - SP, Brasil

Objetivo: Apenas 10 a 15% dos pacientes com epilepsia refratária que são candidatos à cirurgia de epilepsia necessitarão de monitorização neurofisiológica invasiva através de eletrodos subdurais. Eles geralmente apresentam-se com neurofisiologia de superfície não-localizatória e IRM normal. Este trabalho descreve algumas questões técnicas relacionadas com o implante de eletrodos subdurais que são usadas para diminuir a prevalência de morbidade cirúrgica tais como infecções, coleção subdural e fístulas liqüóricas.

Métodos: Setenta e sete pacientes foram submetidos ao implante de grades subdurais de 1996 a 2004 no Hospital Brigadeiro e Clínica de Epilepsia. Os últimos 65 pacientes foram operados levando-se em conta os seguintes princípios intra-operatórios. 1 – realizar uma extensa craniotomia para acomadar a(s) grade(s) de eletrodos; 2- manter um campo operatório extremamente limpo (evita infecções e coleções de sangue ou fluidos subdurais ou abaixo da grade); 3- não permitir sobreposição de grades (evita coleções entre as placas e efeito de massa); 4- não danificar ou deslocar (tracionar) veias, especialmente quando implantando nas superficies parassagital e mesial); 5- documentar o tipo e a posição dos eletrodos, especialmente quando o serviço usa diferentes tipos de eletrodos em cada vez; 6- fixar a grade de eletrodos à dura com pontos antes de fechá-la.; 7- fechar a dura da forma habitual e corrigir os defeitos durais e pontos de saída dos eletrodos com cola de fibrina; 8- emergir os cabos dos eletrodos através de orifício de trepanação; 9- exteriorizar os cabos dos eletrodos usando um dispositivo para tunelização evitando a incisão primária (para reduzir fístulas); 10- fixar um ponto subgaleal envolvendo os eletrodos no ponto interno de saída do couro cabeludo; 11- deixar um dreno subgaleal sem vácuo; se a craniotomia for extensa, inserir dois; 12- fixar firmemente os cabos dos eletrodos ao couro cabeludo (evitar danos aos fios dentro deles); 13- enviar um resumo claro para a neurofisiologia; 14- evitar implante em crianças com microcefalia e sem atrofia cerebral. Todos pacientes receberam antibióticos profiláticos. Nenhum paciente recebeu esteróides.

Resultados: Um paciente apresentou fistula liqüórica através do ponto de saída do eletrodo, tratada com sutura adicional da pele. Um paciente teve meningite e a monitorização teve de ser interrompida. Não houve coleções sintomáticas subdurais, entre as grades ou abaixo delas e não houve necessidade de abortar o procedimento de registro neurofisiológico devido a algum efeito de massa. Sessenta e dois pacientes apresentaram cefaléia responsiva à terapia médica básica.

Discussão: Algumas complicações que ocorrem durante e/ou depois do implante de eletrodos subdurais são descritas na literatura. Essas complicações podem ser evitadas se princípios técnicos cuidadosos forem seguidos durante os procedimentos.