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Clínica de Epilepsia | Trabalhos em Congressos

HIDROCEFALIA PRÉ-OPERATÓRIA COMO FATOR DE MAU PROGNÓSTICO PARA CRISES ATÍPICAS NO PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO (< 12 horas) EM PACIENTES SUBMETIDOS À RESSECÇÃO CORTICAL PARA EPILEPSIA

Arthur Cukiert, Cassio Forster, Leila Frayman, Viviane Ferreira, Elcio Machado, Jose Augusto Buratini, Alcione Sousa.

Serviço de Cirurgia de Epilepsia do Hospital Brigadeiro e Clínica de Epilepsia de São Paulo, São Paulo SP.

Introdução: A ocorrência de crises no pós-operatório imediato de ressecções corticais não tem sido considerada de mau prognóstico quanto ao resultado final, em especial quando estas crises não são as típicas para este paciente. Os diversos estudos não puderam demonstrar nenhum fator de mau prognóstico para a ocorrência destas crises precoces. Este estudo relata o papel da hidrocefalia pré-operatória compensada como fator de mau prognóstico para as crises precoces.

Material: Quatro pacientes portadores de epilepsia do lobo temporal (2 à direita; 2 à esquerda) que foram submetidos à ressecção temporal guiada por ECoG foram estudados. Todos possuíam dilatação ventricular compensada no pré-operatório. Todos eram macrocrânicos (2 estenoses de aqueduto, 1 pós-encefalite, 1 de etiologia desconhecida). Todos possuíam crises parciais simples e complexas e investigação pré-operatória compatível com epilepsia do lobo temporal unilateral. Nenhum apresentava crises parciais motoras.

Resultados: Todos pacientes apresentaram crises nas primeiras 6 horas pós-operatórias. Em 2, as crises eram parciais simples motoras e em 2, tônico-clônicas generalizadas. Nenhum paciente voltou a apresentar crises após 12 horas de cirurgia. Nenhum paciente necessitou de derivação ventricular. Dois pacientes apresentaram sintomas (cefaléia) atribuíveis à descompensação transitória da hidrocefalia que duraram de 1-2 semanas. Um paciente apresentou coleção liquórica sub-galeal que regrediu após punção liquórica única. Todos os pacientes estão sem crises no seguimento (M= 1,8 anos).

Discussão: Hidrocefalia pré-operatória parece ser fator de mau prognóstico quanto a crises precoces, mas não influencia nos bons resultados definitivos da cirurgia. Sugere-se que estes pacientes sejam mantidos sedados por 12 horas no pós-operatório imediato, ao contrário dos casos rotineiros, que são estubados já na sala cirúrgica.