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Clínica de Epilepsia | Trabalhos em Congressos

RESULTADOS CIRÚRGICOS APÓS HEMISFERECTOMIA

A Cukiert, JA Burattini, JO Vieira, PP Mariani, C Baise, C Baldauf, M Argentoni, L Frayman, VA Mello, L Seda, RLB Camara, PRS Mendonça.

Serviço de Cirurgia de Epilepsia, Hospital Brigadeiro e Clínica de Epilepsia de São Paulo, São Paulo-SP, Brasil.

INTRODUÇÃO: A hemisferectomia tem sido usada como modalidade de tratamento para epilepsia refratária por muitos anos. Mais recentemente, as síndromes epilépticas hemisféricas têm sido mais bem definidas e a população de pacientes submetidos a este tipo de procedimento tem se tornado acentuadamente homogeneizada. Atualmente, as principais síndromes epilépticas submetidas a este tipo de procedimento são: a Síndrome de Rasmussen, a Síndrome Hemiplégica, a Displasia Cortical Hemisférica e a Síndrome de Stuge-Weber.

MÉTODOS: Trinta e três pacientes submetidos à hemisferectomia funcional foram estudados. Dezesseis possuíam síndrome de Rasmussen, 13 síndrome hemiplégica congênita, 1 síndrome de Sturge-Weber e 3 displasia cortical. A cirurgia consistiu de ampla ressecção frontotemporoparietal, calosotomia total e desconexão dos pólos frontal e occipital remanescentes. Trinta pacientes eram hemiplégicos já no pré-operatório. Todos os pacientes apresentavam epilepsia refratária com freqüentes crises diárias. A idade variou de 11 meses a 29 anos (média de 8,9 anos) e o tempo de acompanhamento de 6 meses a 9 anos (média de 3,5 anos).

RESULTADOS: Vinte e nove pacientes ficaram livres de crises após a cirurgia. Os outros 4 pacientes tiveram uma melhora na freqüência das crises de pelo menos 80%. Três pacientes necessitaram de shunt ventrículo-peritoneal durante acompanhamento tardio. Os 3 pacientes que não eram hemiplégicos pré-operatoriamente, ficaram com déficit no pós-operatório (2 com síndrome de Rasmussen e 1 com displasia cortical) e os demais não experimentaram deterioração neurológica adicional. Trinta e dois pacientes desenvolveram meningite asséptica no pós-operatório, sendo essa caracterizada por febre alta, meningismo e status neurológico preservado, com uma duração média de 2 semanas. Não houve mortalidade cirúrgica.

CONCLUSÕES: A hemisferectomia funcional é um procedimento eficiente e seguro em uma população selecionada pacientes. A morbidade cirúrgica e mortalidade são muito baixas. Atenção especial deve ser dada aos pacientes com displasia cortical com ou sem hemimegalencefalia (HME). Nesses, deve sempre haver um compromisso entre o grau de ressecção e desconexão para evitarem-se espaços vazios desnecessários. Pacientes com displasia cortical podem ter função neurológica residual dentro do córtex displásico.